Filme bom

Se pudéssemos resumir nossas vidas em um filme, quanto tempo ele teria? Ou melhor, se pudéssemos colocar em fita nosso desejo de vida, quanto tempo levaria para fixar em sultato nossas ânsias? O filme existe exatamente nessa distância, entre o ecrã¹ e os olhos, onde o máximo que podemos fazer é intervir com o surreal, inserindo nossa mão no caminho do feixe do projetor. Na vida não tem corte, é toda plano-sequência, sem ensaio, apenas no improviso. O cinema é a vida sem as partes chatas, dizia Hitchcock algo semelhante. Eu adoraria cortar as partes chatas. O filme da minha vida, digo, dos meus anseios de vida, teria um minuto. Um plano-sequência com um enquadramento de Ozu. Uma moldura de quadro em movimento. Um teatro filmado, severamente criticado até por mim. Meu desejo é um teatro com minha trilha sonora selecionada a dedo. Quero muito. Quero pouco. Quero um pedaço do universo em uma bolha de sabão. Meu filme teria um minuto e mais um segundo, onde um sorriso tímido faria de mim desnudo. Meu filme mudo.
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