Dio

Eu sou Deus. Quem negará? Sou criador do mundo no qual vivo, eu apenas, ninguém além, afinal, mesmo submetido a centenas de influências de filósofos (lidos ou não lidos), modas (vestidas ou não), artes (apreciadas ou não), sou o dono do poder de filtrar o que considero bom ou ruim no intuito de criar minha cultura. Vejo belezas que não agraciam certos olhares, sinto deficiência em filosofias, objetos, artes louvadas, tenho repúdio por atitudes quiçá politicamente corretas, enquanto vanglorio certas anarquias.

Assimilo o que certas visões não o fazem, separo o joio do trigo e concedo parte de mim para o que me apetece. Deste modo crio meu mundo, um universo de interpretações, razões, sentimentos e opiniões, se há mundo antes d’eu vê-lo chega a ser uma questão filosófica, mas respondo que o mundo só existe para mim quando este atravessa o prisma de meus sentidos, portanto, não há mundo até eu criá-lo, ao menos para minha pessoa, que é a que importa primordialmente.

Você é Deus. Vejo chuva no poste público e aproprio uma visão somente minha, que mesmo no geral assemelhando-se com de outrem, ela é minha nos detalhes, ao menos na voz que narra a lembrança poética do amarelo atravessando as gotas. Sou o único dono de minhas decisões e único juiz de meus atos, além de único responsável.

Sou Deus, mesmo ele não existindo.

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