Não há noite mais fria do que aquela sem estrelas e é por uma destas madrugadas que caminho por aí sem o casaco adequado, retornando da casa de um amigo, interessante como a vida te arranca o pão e mostra a farinha, não?
Queimei os cigarros que não fumava havia horas após desfrutar dos divertimentos tecnológicos até as 4 da manhã, diga-se de passagem: videogame.
Próximo de casa, um clio branco batera no poste depois de chocar-se contra o ponto de ônibus, além dos destroços do alumínio do ponto, haviam os estilhaços do vidro forrando o chão, o carro praticamente aglutinara o poste e seu motor encontrava-se em um estado inutilizável (se é que ainda havia motor!). Fiquei surpreso por não ver sangue espalhado no espelho tamanha destruição do automóvel, caminhei por ali e diversos cacos encrustaram na sola de meu sapato, como diamantes em carvão.
Voltei para casa e na subida do elevador toquei em minha jaqueta, ela estava tão gélida que parecia levar um pedaço da noite consigo e enquanto sentia o aroma de seu sereno envolto agradeci pelo poste continuar me oferecendo luz.

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