A Jangada

Carreguei troncos
pela trilha afora
Decepava o pinheiro
e o levava embora

Trazia no ombro
Como cruz de contrição
O passo conduzia
Um latejante coração

Arrastava pela terra
Nas pedras e na lama
Com esse farei um mastro
Ostentando a auriflama

Trouxe cinqüenta toras
até a margem do riacho
Noite que trazia vaga-lumes
Alumiada com mil fachos

Roubei um pirilampo
De uma constelação qualquer
Pra botar na minha lamparina
e pendurar num gurupé

Atei os caules na orla
com trapos de um tecelão
Arranjei uma cortina ainda
Para usar de artemão

Larguei do meu ancoradouro
e deixei meu destino à mercê
Do vento que me embala
pelo ribeiro cotelê

Vivo circunavegando o Sol
Nesse infinito azul guilhochê
Buscando por outra trilha
que me leve até você

10/10/06

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