Meu ícone

Não é necessário que me conheça muito para que saiba de meu apreço para com meu pai, é um amor que supera todos os outros os quais tenho o luxo de vivenciar. Para quem sabe absolutamente nada sobre mim, que os fatos sejam ditos: meu pai faleceu em um acidente de carro no dia 30 de novembro de 1995. Desde então ele se tornou um exemplo para mim e, sem dúvida, não seria a pessoa que sou sem a influência (quase) indireta dele.

Talvez foi melhor assim ou, quem sabe, eu prefira pensar assim. Dizem que é melhor que o show termina no auge, não há incógnita que possa dizer que meu pai não tenha padecido sob os holofotes dos poucos que o conheceram.

Muito do que sei é da boca dos outros, grande parte da imagem que possuo de meu pai eu criei através de comentários alheios, mas não ouso colocar em xeque qualquer coisa dita sobre ele para mim, pois tudo foi falado com uma paixão tremenda, mais que uma paixão, uma nostalgia, uma poesia, tão notável o valor que o toque daquela pessoa na vida de outrem fora importante.

Guardo as escassas lembranças que possuo como meu tesouro mais precioso, diferente de um esnobe, tentarei mostrá-las.

Rememoro alguns dias perdidos na bodega de meu tio, com ele jogando canastra e tomando cerveja. Eu bebia a espuma, às vezes.

Houve o dia em que ele chegou em casa, com uma caixa de presente, não sabia o que havia dentro dela, ele a escondia atrás de seu tronco e como de costume, corri até sua presença, clamando pelo presente, o qual ele insistia ser para algum menino de rua, fazendo todo aquele teatro que se especializara praticamente. Ele acabou desistindo e me deu o presente, era a fita do O Rei Leão e um boneco dos Cavaleiros do Zodíaco.

Talvez minha lembrança mais antiga, em minha festa de aniversário de 3 anos (a qual ganhei uma bateria de brinquedo), recordo-me que na porta havia duas caixas, uma para meus presentes e outra para os de minha irmã, em certo momento ouvi um carro parando e passos sob a brita, súbito corri para o lado de fora e lá estava ele, abracei-o forte.

O momento mais recente com meu pai vivo que me recordo foi quando dei um passeio com ele, sua nova esposa e minha meia-irmã, não me lembro de pormenores, talvez fomos tomar sorvete.

Não quero alongar muito o texto, pois já choro aqui, mas não quero terminá-lo sem salientar as duas lembranças mais queridas que tenho da pessoa de meu pai.

Quando ele me obrigou a ficar até delongas da madrugada para assistir ao GP do Japão de Fórmula 1, ele era fanático por isso, dormi, claro, quando acordei a corrida já estava no final, estávamos sentados no chão da sala, eu deitado no colo dele.

Acordei um dia de madrugada para tomar água, distante, na sala, vi ele deitado no sofá, dormindo, caminhei pelo corredor e fui até lá, pegou no sono vendo Highlander, o acordei, ele relutou, falei para que ele fosse dormir na cama, o canal de TV já exibia apenas a color bar, ele se levantou e eu o levei até o quarto (acho que ele dormia no quarto de minha irmã na época). Voltei a dormir.

Meu pai não é uma pessoa que podes encontrar no google (Edemar Gruneich, tente lá), quem não conheceu ele jamais terá sequer a vontade de fazê-lo, fui um dos poucos e não é por isso que ele não tenha o máximo de valor que uma pessoa como eu pode oferecer a alguém.

Meu pai é meu herói e heróis de verdade morrem no final.

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2 thoughts on “Meu ícone

  1. quiero saber si edemar gruneich es aquella persona que fue mi amigo,en paraguay. Unos de su hermanos se llama Edemiro,residian en gaspar, y brusque.-Favor contestar
    Nota fuimos muy amigos conocia a la familia.-

  2. Pingback: Melhores textos « Like Dylan…

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