20 e poucos com um punhado de versos embaixo do braço

Poucos é poucos mesmo, completo 22 em junho, mas se falarmos de quantos poemas já escrevi se não me engano passa dos 100. Não sei o quão importante ou útil é isso. Nunca planejei fazer tais versos saírem das janelas virtuais ou tampouco adquirir algum dinheiro com elas. Primeiro porque praticamente ninguém as lê. Segundo é que há de existir razões para isso, as quais resultariam em um fracasso literário.

O estereotipo de um “poeta jovem” repercute como um solitário, tímido, trancafiado em seu quarto pensando na linha que procede e vestindo seu pullover de lã. Talvez (e bem provável) eu escreva poesias por falta de “talento jovem”, que seria alguma habilidade artística que me ajudaria a ter melhorias na vida amorosa, como tocar guitarra, pintar quadros abstratos ou ser um tatuador. Quem sabe vem daí a imagem do poeta como ser malogrado, que tomou uma dúzia de pés na bunda que tendem a se repetir e que tais são as razões dos poemas, pois para o leitor de primeira viagem e também para o “poeta de primeira viagem”, o poema é isso: ou uma maneira de desabafar o sofrimento ou uma maneira de declarar o sentimento. Normalmente o segundo leva ao primeiro (não consigo não rir dessa situação).

No começo foi assim para mim, escrevi porque queria me declarar; escrevi porque sofria e quando nem um nem outro era necessário simplesmente não escrevia. E assim fiquei por um bom tempo. Voltei mais esclarecido e acho que esse esclarecimento é necessário para qualquer um que atinge certa maturidade e gosta de ostentar o cunho de “poeta”. Voltei a escrever e embarquei em um novo método, o qual condiz com o feito por diversos ditos “artistas”: não se busca nota/cena/tom/verso apenas no interior, mas sim pelo mundo. Enquanto o guitarrista brinca com as cordas buscando um riff ideal, acho que comecei a notar as ínfimas situações urbanas que me renderiam idéias. O importante é que, agora, eu não precisava mais sentir aquilo que eu escrevia pela minha carne, podia apenas imaginar. Apesar de que a partir do momento em que notado, torna-se parte de mim, é mais distante das emoções drásticas que levam um “poeta de primeira viagem” à escrever. A inspiração não deixa de existir por eu não precisar me declarar ou por não sofrer, quando ela some é simplesmente porque ela quer aparecer.

Então é isso, tenho meus 21 anos, mais de 100 poesias que ficarão por aqui, como o cara que leva o violão pro lual. Garanto que jamais as levarei à saraus por razões que vão desde achar as poesias de lá uma porcaria à uma divergência gigantesca de estilo de vida com os que escrevem periodicamente lá, sinceramente acho que a maioria dos que vi desse mundo pararam em seu momento pré-maturidade.

A questão é: Porque um rapaz com seus 20 e poucos anos ainda escreve poesias? Simples, caro, é por não saber tocar violão.

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2 thoughts on “20 e poucos com um punhado de versos embaixo do braço

  1. Ser poeta na pré-maturidade é fácil. Quando a poesia deixa de ser forma e se torna sentimento, a coisa complica.

    Escrevi recentemente também sobre esta crise dos 22: http://nemcultnempop.blogspot.com/2010/01/e-o-u.html

    Vejo no teu texto um reflexo, um complemento, de coisas diferentes, mas que me identifiquei. Bom trabalho meu caro. Digo mais, as vezes não é por não saber tocar violão, e sim por estar condenado a isso. Alguns nasceram para a nova, e outros para a bossa. Estamos sempre com nossa ‘bosse’ a crescer e crescer, e quando falta espaço, é na poesia que armazenamos este algo que sobra. Poesia é o respiro cansado que nos sobra.

    E o nosso fracasso solitário.

  2. Como vc é novo Phill, Meu Deus!
    Eu me identifico muito com esse texto teu. Escrevo desde muito jovem também, hoje aos 33, conitnuo escrevendo… Mudei bastante nesse tempo, e comigo mudaram a forma de escrever e as razões para fazê-lo…
    Talvez tenha chegado a hora de aprender a tocar violão… Ou será tarde demais? hahaha
    Parabéns!

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