romances modernos

Ela o notou com o canto do olho e logo desviou a atenção como se em um ato falho. Ele se fixou nela, convencido de que abateria o olhar dela logo que ela o oferecesse novamente. Mas ela não o fez. Ele saiu de sua roda de amigos e se dirigira a dela, conhecia os dois rapazes que a acompanhavam e os cumprimentou com um aperto de mão, o segundo até recebeu uma piada improvisada e curta, demonstrando uma amizade e não um mero coleguismo entre os dois, por último a cumprimentou, aproximaram-se, um de frente ao outro, ao alcançarem uma distância de cerca de 40 centímetros um do outro os pés hesitaram em ir à frente, agora só os troncos se contorciam e os aproximavam, ele movimentou a mão para que alcançasse a cintura dela (nem muito acima, nem muito abaixo) ao mesmo tempo em que os seus lábios encontrassem aquela região fria do rosto feminino, logo atrás das maçãs mas antes do cabelo comprido dela largar um filete desgarrado logo corrigido ao ser jogado para trás da orelha. Por sua vez, ela se aproximou e disparou um beijo silenciosamente estalido no ar, tão próximo do ouvido dele que ela poderia lhe falar qualquer coisa sem que ninguém mais ouvisse. Mas ela não o fizera.

O braço dele deu meia volta assim que a tocara, como se esquecesse algo em sua origem, logo dois passos para trás se somaram aos 40 centímetros de distância. A frontidão de seus corpos deu lugar à uma tangente enquanto ele girava a perna direita buscando formar um círculo com os outros dois ali presentes. Começou a conversar com um deles como se nada já tivesse ocorrido entre aquele garoto e aquela garota. Seria uma mentira se confirmassem isso, mas ninguém perguntou.

Eles se conheceram umas 2 semanas atrás, no final de uma festa, ela já havia ficado com rapazes naquele dia, ou pelo menos vários tentaram, ele precisou se preocupar em despistar uma garota que lhe perseguia na frente do palco por metade do tempo dele na festa. Ambos beberam, ele bebera tudo que seu dinheiro poderia pagar, ela tudo que sua feminilidade pudesse filar, o que quer dizer que ela estava mais embriagada que ele. Ele, aos olhos dela, deveria parecer amigável, pois foi com ele que ela decidira efetuar uma fuga dos que a buscavam, ela, bem, ela fazia jus aos que tanto persistiam. Sim, houve um momento no qual se beijaram e andaram de mãos dadas, já estavam fora dali, o que parecia tornar aquilo completamente obtuso das experiências planejadas.

Eles compartilhavam da mesma opinião um a respeito do outro: eram diferentes, o que era bom na lógica deles. Passaram as duas semanas sem trocar uma palavra, pois não havia um meio para e hoje também não o fizeram (até o momento). Ela queria sorrir quando o viu, seu desvio de olhar nunca fora tão automático. Ele ficava aguardando algum sinal, como se fosse o dever dela fazê-lo. Eles desejariam, mas não ficariam hoje, os relacionamentos de hoje, por se formarem tão rápido quanto desmoronam, os ensinaram sobre essa indiferença, na teoria necessária. Crianças pervertidas que só brincavam enquanto o sol se escondia, assim guiavam seus relacionamentos, quando a noite acabasse eles não iriam para direção opostas, mas também não se encontrariam. Ambos foram dormir de lábios secos em suas respectivas camas, mas eles bem que não queriam, não hoje.

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7 thoughts on “romances modernos

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