Até amanhã.

Sai de lá cabisbaixo, dei meu último sorriso para ela e depois me cobri de seriedade. Caminhei pelas ruas sem expressar um fino relampejo de alegria. Não sabia quanto a felicidade duraria e queria guardá-la toda para mim. Não poderia deixar o mundo roubá-la e o mundo anseiava por um deslize meu. Senti uma cócega no pescoço a qual nem me incomodei no princípio, mas depois notei que era um fio de cabelo dela. Deixei-o lá. Era o que restou de seu toque aliado à lembrança. Ao quase esboçar um qualquer possível sorriso logo me fechava e olhava ao redor para me certificar que nada tinha escapado. Fazia tudo antes de qualquer brisa me roubar um pedaço de felicidade. Cheguei na porta de meu apartamento, olhei para os lados e havia ninguém, tirei o fio dourado dela de meu pescoço e guardei em minha carteira, fechei-a, mas não sem antes ter certeza de que ele estava confortável ali dentro, e dei um sorriso para mim. Só para mim. De você.

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